top of page

Baobá Geneálogico

Baobá Genealógico

O Baobá surgiu como um presente, assim como quase todos os elementos deste trabalho. Ao receber da Professora Joselina da Silva, uma das protagonistas da pesquisa, o material sobre sua trajetória de vida, para compor o corpus de análise, referente aos dados das narrativas autobiográficas nos deparamos com um artigo autoral intitulado “Meu Baobá Genealógico: histórias e memórias de mulheres que me sustentam”, onde a autora homenageia as mulheres negras contribuíram para sua trajetória acadêmica e de vida. Assim, encontramos nosso método para a visualização e compreensão das redes intelectuais e orgânicas das pesquisadoras e seus vínculos.

Na África, o Baobá é uma árvore sagrada. Encontramos algumas histórias que contam sobre pessoas africanas da Costa Ocidental, e que antes de serem brutalmente embarcadas nos “navios negreiros”, eram obrigadas por seus captores a dar voltas entorno de uma Baobá, conhecido assim como "Árvore do Esquecimento". A intenção era forçar as pessoas africanas a se esquecerem de suas culturas e da vida livre que levavam nas suas terras natais (MUSEU AFRO BRASIL, 2015).

Nesta pesquisa, tomamos a ideia de Baobá como o retorno dessa cultura e de uma ancestralidade africana e afrobrasileira que não pode ser apagada nem silenciada. Logo, o desenvolvimento desta pesquisa de tese está diretamente relacionada a minha formação como pessoa e profissional, ao ingresso dessas mulheres que enfrentam as diferenças nas relações com seus pares e gestores que as fazem vítimas de preconceitos, discriminações e racismos, obstaculizando os movimentos de resistência com vistas ao empoderamento, a visibilidade e a construção identitária na carreira acadêmica de seu cotidiano docente.

Como mencionado acima, nos pareceu pertinente e adequado a pesquisa pelo fato do Baobá ser uma árvore que é um dos símbolos fundamentais das culturas africanas tradicionais. Segundo o Geledés (2001) “os velhos baobás africanos de troncos enormes suscitam a impressão de serem testemunhas dos tempos imemoriais. Os mitos e o pensamento mágico-religioso yorubá têm na simbologia da árvore um de seus temas recorrentes. Na sua cosmogonia, a árvore

surge como o princípio da conexão entre o mundo sobrenatural e o mundo material. As árvores ‘(…) estão associadas a ìgbá ì wà ñû – o tempo quando a existência sobreveio – e numerosos mitos começam pela fórmula ‘numa época em que o homem adorava árvores’…’.

Nesse sentido, parafraseando a pesquisadora negra Joselina da Silva (2019, p. 264), o Baobá é uma árvore “africana que cresce ereta, vive centenas de anos e tem folhas e galhos bem lá na ponta” e “É como se o que está em cima fosse puxando o longo, encorpado e frondoso caule”. Comparando-se a árvore que segue crescendo ao sabor da esticada de suas ramas.

Acreditamos que não poderia haver melhor compreensão metodológica para apresentar as redes intelectuais e orgânicas dessas mulheres negras, que obrigadas a serem mais fortes criam elos em forma de galhos e ramas que se estendem e tomam formas, gerando novas flores e frutos.

Não foi objetivo desta pesquisa um estudo sobre genealogia acadêmica que é perpetuada por meio de relacionamentos de orientação acadêmica e normalmente são estruturados na forma de um grafo encadeando em várias gerações, filiações e históricos. O termo genealogia aplicado ao Baobá está relacionado aos elos e ligações específicos das 3 (três) pesquisadoras: Mirian Aquino, Cida Moura e Joselina da Silva e apenas suas relações de orientação.

Para construir as árvores utilizamos como fonte a Plataforma Lattes, via as bases de Currículos Lattes e o Diretório de Grupos de Pesquisa (DPG), a fim de identificar os currículos e os grupos de pesquisa que essas pesquisadoras são filiadas. E para complementar a análise dos dados também utilizamos fontes biobibliográficas selecionadas de autoras e autores que escreveram e publicaram sobre as pesquisadoras.

Para exemplificar e estruturar os Baobás primeiramente optamos por apresentar imagens, onde construímos uma forma de visualização baseada em um Baobá clássico (a árvore), uma foto da pesquisadora na base da árvore representando o próprio Baobá e os nomes das pessoas que elas orientaram ao lado dos galhos representando esse legado / rede intelectual genealógica que nós pretendíamos demonstrar. Esse estrutura foi completamente transposta para este ambiente digital

Em seguida, utilizamos quadros como instrumentos de coleta e visualização de dados, pelos quais detalhamos esse legado / rede intelectual genealógica, e a partir da pesquisa na Plataforma Lattes, via as bases de Currículos Lattes e o Diretório de Grupos de Pesquisa (DPG) elencamos algumas categorias para estruturar este instrumento, a saber: Nome /Titulação/Vinculação Institucional a fim de saber os dados profissionais, Último Trabalho de orientação com a pesquisadora / Ano de defesa com vistas a informar relação de pesquisa e o ano quando o trabalho foi realizado com a pesquisadora em questão, e Continuidade dos Estudos, Pesquisa e Trabalho com o intuito de descobrir se o envolvimento com a pesquisadora possibilitou o desenvolvimento da pesquisa posterior ou sensibilizou para estudos de temas voltados as questões que afetam a sociedade e são fatores geradores de discriminação e exclusão social, como racismo, machismo, sexismo e LGBTfobia, que é nosso ponto de partida (Hipótese). Essa estrutura foi modificada e no ambiente digital, cada relação de orientação/galho se tornou uma página no site onde apresentamos mais detalhadamente os elos com a pesquisadora em questão e os desdobramentos dessa relação.

Abaixo, apresentamos as versões preliminares dos Baobás, presentes do texto de qualificação, aprovado em outubro de 2020.

Baobá Genealógico de Joselina da Silva

Baob%C3%83%C2%A1_Geneal%C3%83%C2%B3gico_

Fonte: Elaborado pela autora (2020)

Baobá Genealógico de Cida Moura

Baobá_genealógico_de_Maria_Aparecida_M

Fonte: Elaborado pela autora (2020)

Baobá Genealógico de Mirian Aquino

Baobá_genealógico_de_Mirian_de_Albuque

Fonte: Elaborado pela autora (2020)

Referências

GELEDÉS. Baobá: árvore símbolo fundamental das culturas africanas tradicionais. Geledés: Instituto da Mulher Negra, 15 jul. 2011. Disponível em: https://www.geledes.org.br/baoba-arvore-simbolo-fundamental-das-culturas-africanas-tradicionais/. Acesso em: 10 mar. 2020.

 

MUSEU AFRO BRASIL. Disponível em: http://www.museuafrobrasil.org.br/noticias/detalhe-noticia/2015/04/13/museu-afro-brasil-planta-o-primeiro-baob%C3%A1-do-parque-ibirapuera#:~:text=Reza%20a%20hist%C3%B3ria%20que%20alguns,da%20vida%20livre%20que%20levavam. Acesso em: 27 out. 2020.

 

SILVA, Joselina da. Meu baobá genealógico: histórias e memorias de mulheres que me sustentam. ReDoc: Revista Docência e Cibercultura, Rio de Janeiro, v. 3, n. 3, p. 263-270, set./dez. 2019. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/re-doc/article/view/46914. Acesso em: 10 mar. 2020.

Baobá 2.png
WhatsApp%20Image%202020-10-25%20at%2017.

BAOBÁ JOSELINA

Baobá ft 3.png
IMG-20201025-WA0009 (1).jpg

BAOBÁ

APARECIDA

Baobá ft 2.png
WhatsApp Image 2020-10-25 at 17.58.59 (1

BAOBÁ MIRIAN

© 2020 por Pesquisadoras Negras. Todos os direitos reservados.  

Projeto desenvolvido por Mirna Galiza. Contato - galizamirna@gmail.com

bottom of page